sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Democracia Participativa



 O filósofo grego Protágos, meditando acerca da sociabilidade do homem, afirma que "os homens devem viver politicamente, pois lhes faltam as qualidades biológicas de que dispõem as outras espécies animais para poder sobreviver na luta pela vida, e devem, portanto, se unir e dar provas das virtudes necessárias à cooperação e a vida em comum". Tal reflexão nos faz compreender o porquê os seres humanos buscam associações aos seus semelhantes, pois não produzem suas própria necessidades de forma independente. 


            A inter-relação do homem em grupo com propósito de divisão de tarefas para que possam suprir as necessárias existentes, comprova a existência da política desde o início da humanidade.
            Entretanto, foi na Grécia, especificamente em Atenas, que a politica ganhou uma maior notoriedade. O sistema de governo então empregado, que denota a liberdade do indivíduo frente ao governo, foi o Estado Democrático. Na ocasião não existia um governo soberano, todos participavam das questões políticas nas chamadas Eklesia (assembleia popular), em que abordavam assuntos de interesse geral da sociedade, logo, obtinham a ideia de liberdade de forma pública. Esta forma de democracia era dialética, expondo diversos pontos de vista. Somente compunham essa assembléia os homens livres e maiores de vinte e um anos, composta por aproximadamente seis mil Eklesiastas, onde  todos tinham o direito de esegoria (direito a palavra), ou seja, os gregos atenienses tinham um governo de caráter participativo, e não representativo, como ocorre na atualidadea. Na concepção da época, o fato de haver eleições, estar-se-ía fazendo um atentado contra a democracia, pois entendiam que a forma mais democrática deveria se dar através de sorteio para designar seus representantes, os quais uma vez eleitos poderiam ser depostos a qualquer momento e não mais submeterem-se  à re-eleição.
               
          Na Democracia Representativa, forma política adotada pela maior parte dos países ocidentais, alguns interessados candidatam-se com o intuito de representar a população perante as decisões públicas e políticas de sua sociedade. Assim, através da confiança firmada pelo voto do povo, o candidato busca o bem estar da população com a criação de políticas públicas que venham de encontro com as necessidades em pauta. 
             Ocorre que atualmente, nos países pertencentes a esse modelo de Democracia Representativa, como o Brasil, foge-se da verdadeira configuração de uma Democracia Participativa. O fato de um candidato aparecer na mídia em palanques pelo Brasil afora tem um elevado custo financeiro, o que exige, em regra, uma considerável fonte de financiamento. Acontece que, na maioria dos casos, o candidato acaba se atrelando a um financiador tão somente para angariar recursos.
Começa aqui o problema da Democracia Representativa, porque elegemos pessoas que já entram no Poder Público comprometidas com a má política. O eleito deixa de ser um representante do povo e passa a ser representante do grupo que financiou sua campanha eleitoral  e faz do voto popular um jogo de interesses, sem, de fato, representá-lo.
           Ainda há muitos que consideram que a Democracia Participativa vigora em nosso meio, afirmando que o cidadão tem todo o poder e direito de cobrar dos políticos o que acha necessário para a sociedade, normalmente, foi um voto sem conciência política que levou o candidato ao poder e resta a esperança de que este candidato eleito venha selecionar as opiniões e ser imparcial no cumprimento do seu mandato.
            Para que possamos viver em uma sociedade de verdadeira justiça social, se faz necessário, dentre outros, a avaliação dos métodos eleitorais a serem adotados, como o voto distrital e outros, dar condições educacionais e  culturais para o cidadão avaliar as propostas dos candidatos, meios democráticos de conhecimento dos candidatos, bem como uma estrutura que esclareça, incentive e facilite para o cidadão o acompanhamento do  mandato afim de que seja efetivo, transparente e, de fato, participartivo.

Um comentário:

  1. Destaque para o bom link com o trabalhado em sala.
    Modifiquem esse pequenos trechos: iségoria (ao invés de esegoria) e por sorteio se designam as funções públicas (ao invés de representantes).
    No mais, o texto fugiu do tema ao tratar os problemas da democracia representativa quando deveria tratar da participativa.

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